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Piódão
Outubro de 2005
Na região centro, a duas horas da
praia, temos paisagens naturais e humanizadas que merecem ser
vistas. Podíamos estar a falar da Serra da Estrela ou da Serra da
Lousã, mas não, falamos da Serra do Açor localizada entre as duas
referidas, com uma altitude um pouco superior a 1300 metros tem
cantos e recantos espectaculares.
De Coimbra seguimos pelo IP3 na direcção de Viseu. Depois de
passar Penacova deixamos esta via para apanhar o IC6 na direcção de
Arganil. Esta vila tem um bom parque de estacionamento na parte
alta, próximo do edifício da Câmara Municipal. Depois seguimos na
direcção de Coja. Vai começar aqui a subida ao "santuário" que tem
por nome "Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor". Seguimos na
direcção de Dreia e Benfeita, duas aldeias alcandoradas que nos
proporcionam vistas soberbas das veigas e das casitas de xisto.
A estrada vai serpenteando a serra, estreita mas de piso razoável. A
poucos quilómetros depois de Benfeita, surge uma das jóias da coroa,
a Fraga da Pena. Algumas quedas de água surgem na ribeira de
Degrainhos, uma delas é verdadeiramente espectacular. Estas quedas
de água podem resultar da diferente capacidade de erosão apresentada
pelas rochas subjacentes. O Homem fez o resto, criou um ambiente
bucólico, primeiro construindo moinhos que aproveitavam a força das
águas, talhou degraus na própria rocha que nos proporcionam uma
"subida" ao passado, com muito cuidado, no entanto, devido ao
desnível e à humidade que se faz sentir, mas óptimo para quem gosta
de escalar "sem cordas". Construiu algumas pontes de madeira que nos
proporcionam a travessia da dita ribeira, e mais recentemente, criou
um espaço de lazer que nos convida a ficar algum tempo em ambiente
de recolhimento e reflexão.
1 km depois e um pouco mais acima, surge a aldeia de
Pardieiros. Aqui acaba a estrada de alcatrão, mas não acaba
aqui o passeio. Continuamos por estrada de terra batida, (4Km)com
algum receito porque a AC não é um jipe, mas tudo correu bem.
Embrenhamo-nos então na "Mata da Margaraça" que merece muito mais do
que uma simples visita de passagem. No meio da mata surge a "Casa
Grande" que funciona como centro de interpretação da paisagem
protegida. A tarde já vai alta e seguimos direitinhos ao nosso
destino, a aldeia de Piódão.
Esta aldeia serrana, "sem história", tornou-se
conhecida pela posição que ocupa na serra do Açor, (faz lembrar um
presépio) e por manter na quase totalidade o casario construído por
xisto, de acordo com a tradição. Por muito que ouçamos falar de
Piódão, não deixaremos de ficar surpreendidos. A seguir à ultima
curva de estrada surge o largo da igreja, entrada e saída da aldeia,
já que os carros ficam aqui. Somos recebidos por um dos dois
simpáticos comerciantes, que nos oferecem licores de pêssego, de
zimbro e mel... depois de aceitarmos a simpatia e de provar o licor
ficamos rendidos. A visita à aldeia faz-se a pé já que as ruas
estreitas não permitem outro transporte e é verdadeiramente uma
visita ao passado. Como curiosidade o facto de encontrarmos muitas
portas e janelas pintadas de azul. Ninguém sabe explicar muito bem a
preferência da cor, mas pensa-se que quando as primeiras pessoas
quiseram pintar as suas casas, só encontraram na loja da aldeia
tinta de cor azul, já que o isolamento era grande e a capacidade de
investir pequena.
A prosa já vai longa, vejam as imagens, mas
sobretudo visitem Piódão. |